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Arcano A Justiça

Atualizado: 27 de out. de 2024


Eu sou a Justiça, o entendimento, a harmonia;

sou neutra e isenta, sou objetiva e lenta.

Não tenho pressa, sou cuidadosa,

de olhos bem abertos, olho os fatos concretos,

não a abstração do que parece certo...

Não trago verdades, mas busco a veracidade

sei que cada pessoa é portadora de um pedaço da Verdade.

 

Eu sou aquilo que é justo, e o que é justo não aperta nem é largo.

Não largo a balança nem a espada

– sou a força do equilíbrio e o equilíbrio da força.

Sou a Justiça, a balança que oscila, a pendência, a cobrança.

Enxergo além do tempo, dos defeitos e das virtudes.

Sou causa e não efeito das diversas faces da sua atitude.

 

Poucos entenderão minha ação.

Não sou o partido ou a oposição, a vítima contra o ladrão;

não sou a punição, sou a correção; não sou o castigo, sou o perdão.

Não sou o esquecimento, sou a integração:

a paz só é possível quando a memória se torna memorial. 

 

Muitos me vêem como ajuste de contas, o justiceiro contra o algoz,

o salvador autoritário, o herói da causa própria.

Eu sou a autoridade e a lei: lei do karma, causa-efeito, ação e reação.

Direitos e deveres na mesma proporção.

 

Sou a lei do retorno e sei que ninguém é bonzinho o tempo todo.

Estou de olho: não para te julgar, mas para te ajudar a crescer.

 

Dizem que sou a justiça divina: vestem-me de Papai Noel,

como se eu trouxesse presentes pelo seu bom comportamento.

Ora, suas atitudes de amor, gentileza e honestidade

não são mais do que obrigação!

 

Parem de me idealizar como “causa ganha”. Não estou aqui para te defender,

nem ofender quem te ofendeu. Não vou proteger nem condenar,

-- a consciência é toda sua!

 

O seu ponto de vista é apenas a vista de um ponto, e todo mundo tem seu ponto cego.

Eu bem vejo o que você não está conseguindo ver: todo avesso tem o seu direito.

 

Eu, a Justiça, sou a conciliação, o entendimento entre as divergências

o equilíbrio das contradições, a convergência das diferenças.

A espada não é castigo, é corte necessário.

Espada de dois gumes – o que fere, será ferido; o que foi ferido, já feriu um dia.

 

Eu sou o momento de avaliar erros e acertos

Arrependimento e redenção, harmonia e humildade,

hora de ajustar os passos para readentrar o compasso.

 

Como em uma orquestra onde alguém errou o tom,

ou uma coreografia em que você tropeçou

– tudo bem, o que importa é que agora aprendeu.

E eu te pergunto: - O que você aprendeu?

 

Sou a imparcialidade, não tomo partido

como o próprio nome diz, "partido" é o oposto de unido.

Quando tudo está separado não há justiça, só caos e cada um por si.

O quebra-cabeça só é inteiro se todos estão.


Sou a Justiça, o ajuste do desajustado.

Ao invés de excluir, banir, exilar ou repudiar, te convido (e desafio!)

a ouvir antes de falar, pensar antes de agir,

sentir antes de reagir, e muitas vezes,

acolher, acenar e sorrir.

 
 
 

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