Arcano A Justiça
- Lucelia Oshiro

- 12 de jul. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 27 de out. de 2024

Eu sou a Justiça, o entendimento, a harmonia;
sou neutra e isenta, sou objetiva e lenta.
Não tenho pressa, sou cuidadosa,
de olhos bem abertos, olho os fatos concretos,
não a abstração do que parece certo...
Não trago verdades, mas busco a veracidade
sei que cada pessoa é portadora de um pedaço da Verdade.
Eu sou aquilo que é justo, e o que é justo não aperta nem é largo.
Não largo a balança nem a espada
– sou a força do equilíbrio e o equilíbrio da força.
Sou a Justiça, a balança que oscila, a pendência, a cobrança.
Enxergo além do tempo, dos defeitos e das virtudes.
Sou causa e não efeito das diversas faces da sua atitude.
Poucos entenderão minha ação.
Não sou o partido ou a oposição, a vítima contra o ladrão;
não sou a punição, sou a correção; não sou o castigo, sou o perdão.
Não sou o esquecimento, sou a integração:
a paz só é possível quando a memória se torna memorial.
Muitos me vêem como ajuste de contas, o justiceiro contra o algoz,
o salvador autoritário, o herói da causa própria.
Eu sou a autoridade e a lei: lei do karma, causa-efeito, ação e reação.
Direitos e deveres na mesma proporção.
Sou a lei do retorno e sei que ninguém é bonzinho o tempo todo.
Estou de olho: não para te julgar, mas para te ajudar a crescer.
Dizem que sou a justiça divina: vestem-me de Papai Noel,
como se eu trouxesse presentes pelo seu bom comportamento.
Ora, suas atitudes de amor, gentileza e honestidade
não são mais do que obrigação!
Parem de me idealizar como “causa ganha”. Não estou aqui para te defender,
nem ofender quem te ofendeu. Não vou proteger nem condenar,
-- a consciência é toda sua!
O seu ponto de vista é apenas a vista de um ponto, e todo mundo tem seu ponto cego.
Eu bem vejo o que você não está conseguindo ver: todo avesso tem o seu direito.
Eu, a Justiça, sou a conciliação, o entendimento entre as divergências
o equilíbrio das contradições, a convergência das diferenças.
A espada não é castigo, é corte necessário.
Espada de dois gumes – o que fere, será ferido; o que foi ferido, já feriu um dia.
Eu sou o momento de avaliar erros e acertos
Arrependimento e redenção, harmonia e humildade,
hora de ajustar os passos para readentrar o compasso.
Como em uma orquestra onde alguém errou o tom,
ou uma coreografia em que você tropeçou
– tudo bem, o que importa é que agora aprendeu.
E eu te pergunto: - O que você aprendeu?
Sou a imparcialidade, não tomo partido
como o próprio nome diz, "partido" é o oposto de unido.
Quando tudo está separado não há justiça, só caos e cada um por si.
O quebra-cabeça só é inteiro se todos estão.
Sou a Justiça, o ajuste do desajustado.
Ao invés de excluir, banir, exilar ou repudiar, te convido (e desafio!)
a ouvir antes de falar, pensar antes de agir,
sentir antes de reagir, e muitas vezes,
acolher, acenar e sorrir.






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