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Era uma vez (e continua a ser), um rio de muitas histórias…

Se permitimos, lembranças embotadas ou abortadas vêm à luz

E são transmutadas:

Memórias afetadas se tornam memórias afetivas,

e vemos mãos entrelaçadas no lugar de braços cruzados.


Quando integramos e não excluímos,

há paz.

E na paz, tudo está pago, não há pendências.

E, livres de dívidas e dúvidas, temos liberdade e força para seguir em frente.


Quando sinto, no centro do meu ser, que eu não sou só, que faço parte de algo muito anterior à minha existência,

então, me vejo bem comum e bem pequena, e consigo seguir mais leve.


E, leve, vou mais longe.

E, pequena, posso me tornar grande.

E, comum, posso ser do meu jeito.

E, como ponta final desse fio da vida, posso ser vida, em honra à morte dos que não puderam ficar.

E posso servir do meu lugar, e ser vista como eu mesma, não mais ovelha negra (ou patinho feio).

No espelho, imagino atrás de mim

Meus pais e avós e pessoas que não conheci

Não são desconhecidos, são bem familiares!


Agora, é comigo. Eu por mim.

Agora, eu posso. Porque tomei posse da Vida que há em mim.

Metade pai, metade mãe. É assim que é.

Eu aceito e respeito.

Não foi como “tinha” que ser; e sim,

Foi como foi possível.


O Amor sempre dá um jeito de criar Vida. E a Vida sempre está a serviço do Amor. E a Morte sempre está a serviço da Vida.

A Morte não é ruim, é necessário o fim.

No tempo certo tudo acaba, mas não deixa de existir.

Ainda que meus olhos não vejam, muita coisa existe.

E agora, eu vejo!

Vejo o que se mostra quando estou pronto para ver,

e me despeço quando foi o suficiente.

Aqui, eu me recolho.

Acolho minha criança interna, como adulto que sou

Acolho minha fase, e dou a outra face ao futuro

E, dou um passo bem consciente para o novo

Com gratidão e sem pressa,

afinal, a Alma

é eterna.

  • 5 de ago. de 2024


Eu sou o Mundo: o fecho de ouro, o desfecho da história;

a faixa de chegada, a fama e a vitória.

Sou a dançarina cósmica, a valsa de debutante,

o baile de formatura, a apoteose exuberante.

 

Sou o ovo profético, a fase que se completa:

a grinalda, a guirlanda, a coroa de louros,

e a coroa de flores. Sou o encontro

com o fim; enfim, seu lugar no mundo!

 

Eu sou o fim do caminho, os últimos passos,

o espaço em branco no fim do parágrafo.

Sou a certeza de que nada foi em vão,

tudo foi bem-vindo, tudo já vai indo.

 

Eu sou o Mundo, e comigo tudo combina,

tudo se cumpre e se afina.

Eu amarro pontas soltas, deixando tudo entrelaçado.

Eu sou o mundo que te habita,

a sala de espelhos das suas faces infinitas;

a moldura da obra que circula suas narrativas.

 

Construção contínua, volto ao ponto de partida

como o pesponto da costura, dou acabamento ao tecido.

Mas eu mesmo, não acabo, eu fico!

 

Com delicadeza, desenlaço certezas,

desfiando as tramas da vida no desfiladeiro da despedida.

Desfilo sem definhar: tudo só acaba quando termina.

 

Sou o momento da vida, em que tudo muda ao virar a esquina;

mas eu não tenho quina, nem canto; sou feito de curva infinita.

Danço conforme a música, navego na melodia, sigo o ritmo da vida.

 

Eu sou o Mundo, a volta para a casa, a nave-mãe, o útero, o fluxo.

Dizem que eu, O Mundo, dou voltas. Mas estou sempre no mesmo lugar:

por mais que eu gire, quem muda é você!

 

A mudança é inevitável. Sou o portal de saída e de entrada:

Olhe para trás, faça uma reverência ao que foi, e peça que seu passado te abençoe.

Porque só quem já viveu o que se passou tem força para passar para um novo viver.

 

Eu sou O Mundo e venho dizer que acabou.

Agora, está apenas começando!

  • 2 de ago. de 2024



Eu sou a anunciação, o chamado ressoante,

o som forte das trombetas acordando os despertos.

Venho chamar os preparados, os que já fizeram as malas

- muitos de prontidão para a transição planetária.

Mas, calma, ninguém será esquecido, não há exclusão ou banimento;

a mudança não é extraterrestre, é um limiar de consciência.

 

Não sou o apocalipse, nem o juízo final. Sou o fim do prejuízo, o fim do adiamento,

o que tinha que ser pago já foi cobrado: sou a lei do retorno aplicada.

 

Sou o Julgamento, o guardião do portal, de olhos abertos às portas que você fechou.

Já é hora de sair da mortificação, soltar karmas e amarras de estimação,

jogar fora pesos que te enterram e venenos que sufocam.

Pactos e acordos não-cumpridos, já estão curtos e não te prendem mais.

 

Eu, o Julgamento, sou a ex-pressão do compromisso:

uma pressão que já não é mais, uma não-pressão, a liberação.

Não tenho nomes na lista, nem mesmo tenho lista de preferidos ou preteridos.

Todos são bem-vindos, o chamado é para todos – mas, você aceita?

 

Não sou o perdão ou a absolvição.

Olhe para seu autojulgamento. O juiz rigoroso não é Deus, é você!

Deus não te perdoa porque não te castiga. Você é quem se condena sem defensoria.

Eu te vejo na defensiva, desconfiado do céu ser bom demais para você.

Só aceita e vai. O convite é vitalício: não requer traje à rigor,

nem traje certo, nem rigor demasiado;

não é festa nem encontro, é retorno para a casa!

A casca não importa, sinta-se confortável de corpo e alma.

 

Eu sou o momento de intervenção divina, a mudança de dimensão.

Eu sou o soar da sirene, o alarme do fim do recreio:

hora de voltar à aula para aprender um pouco mais.

Sou o tempo tão esperado mas, que quando chega, poucos acreditam.

Sou seu lado iluminado que ascende à outra realidade.

Não uma vida nova, e sim, a mesma vida, a linha contínua de uma narrativa evoluída.

 

Eu, o Julgamento, sou o momento em que a vida te convida a um salto na Matrix;

mas essa parte da jornada se parece com uma escada:

não é elevador, são degraus em espiral.

Como um turbilhão de purificação você sobe,

embora pareça estar no mesmo lugar:

a evolução não é para cima, é para dentro.

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