Constelação | Sob o olhar das estrelas
- Lucelia Oshiro

- 27 de mai.
- 2 min de leitura
Era uma vez (e continua a ser), um rio de muitas histórias…
Se permitimos, lembranças embotadas ou abortadas vêm à luz
E são transmutadas:
Memórias afetadas se tornam memórias afetivas,
e vemos mãos entrelaçadas no lugar de braços cruzados.
Quando integramos e não excluímos,
há paz.
E na paz, tudo está pago, não há pendências.
E, livres de dívidas e dúvidas, temos liberdade e força para seguir em frente.
Quando sinto, no centro do meu ser, que eu não sou só, que faço parte de algo muito anterior à minha existência,
então, me vejo bem comum e bem pequena, e consigo seguir mais leve.
E, leve, vou mais longe.
E, pequena, posso me tornar grande.
E, comum, posso ser do meu jeito.
E, como ponta final desse fio da vida, posso ser vida, em honra à morte dos que não puderam ficar.
E posso servir do meu lugar, e ser vista como eu mesma, não mais ovelha negra (ou patinho feio).
No espelho, imagino atrás de mim
Meus pais e avós e pessoas que não conheci
Não são desconhecidos, são bem familiares!
Agora, é comigo. Eu por mim.
Agora, eu posso. Porque tomei posse da Vida que há em mim.
Metade pai, metade mãe. É assim que é.
Eu aceito e respeito.
Não foi como “tinha” que ser; e sim,
Foi como foi possível.
O Amor sempre dá um jeito de criar Vida. E a Vida sempre está a serviço do Amor. E a Morte sempre está a serviço da Vida.
A Morte não é ruim, é necessário o fim.
No tempo certo tudo acaba, mas não deixa de existir.
Ainda que meus olhos não vejam, muita coisa existe.
E agora, eu vejo!
Vejo o que se mostra quando estou pronto para ver,
e me despeço quando foi o suficiente.
Aqui, eu me recolho.
Acolho minha criança interna, como adulto que sou
Acolho minha fase, e dou a outra face ao futuro
E, dou um passo bem consciente para o novo
Com gratidão e sem pressa,
afinal, a Alma
é eterna.

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